A mineradora de criptomoedas BIT Mining, listada na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), revelou nesta quinta-feira (11) uma mudança estratégica significativa: a empresa irá direcionar suas operações para o ecossistema Solana (SOL) e pretende levantar entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões para compor um tesouro em SOL, conforme as condições de mercado e disponibilidade de capital.
“Essa transição permite que a BIT Mining explore novas oportunidades em toda a cadeia de valor do setor blockchain, ao mesmo tempo em que se posiciona como um veículo público de investimento voltado ao ecossistema Solana”, afirmou a companhia em comunicado enviado ao The Block.
O objetivo da empresa é aproveitar a infraestrutura de alto desempenho e a comunidade ativa de desenvolvedores da Solana para impulsionar a inovação, integrar-se mais profundamente ao ecossistema e gerar valor sustentável aos acionistas.
Como parte da nova estratégia, a BIT Mining vai converter todos os seus criptoativos atuais em SOL, adotando uma política de reserva de longo prazo. Além disso, a empresa pretende operar nós validadores na rede Solana, colaborando com a descentralização e segurança do protocolo e, ao mesmo tempo, recebendo recompensas por staking on-chain.
“Estamos entusiasmados em dar esse passo ousado rumo ao que acreditamos ser um dos ecossistemas mais promissores do setor blockchain”, declarou Xianfeng Yang, CEO da BIT Mining.
“Essa decisão reflete nosso compromisso com a adaptação constante em um mercado em rápida transformação. Com nossa capacidade de execução e visão de longo prazo, acreditamos estar bem posicionados para acelerar nosso crescimento sustentável.”
Atualmente, a empresa opera em três frentes principais: mineração própria, serviços de hospedagem e fabricação de hardwares exclusivos, com chips de 7nm para mineração de Bitcoin, além de equipamentos para mineração de Litecoin, Dogecoin e Ethereum Classic. Hoje, a BIT Mining ocupa a 17ª posição entre as mineradoras de bitcoin de capital aberto em termos de valor de mercado.
As ações da empresa (BTCM) subiram mais de 300% no pré-mercado nesta quinta-feira, segundo dados da TradingView.

Com essa mudança, a BIT Mining se junta a um grupo crescente de empresas que adotam criptomoedas como ativos de tesouraria, incluindo BTC, ETH, SOL, XRP e BNB — uma estratégia inicialmente popularizada por Michael Saylor, da MicroStrategy, com a acumulação de bitcoin.
Curiosamente, outras duas empresas do setor com nomes semelhantes — Bit Digital e BitMine — também anunciaram mudanças em suas estratégias de tesouraria recentemente, mas com foco no Ethereum em vez da Solana.
A Bit Digital, listada na Nasdaq, encerrou suas operações de mineração de BTC e converteu todo seu caixa em ETH, acumulando mais de 100 mil unidades da criptomoeda, avaliadas em cerca de US$ 278 milhões, após uma captação de US$ 173 milhões.
Já a BitMine, listada na NYSE, anunciou que vai captar US$ 250 milhões via oferta privada para multiplicar por 16 suas reservas de ETH. O investidor Tom Lee, cofundador da Fundstrat, tornou-se presidente do conselho da empresa.
Antes de se tornar uma empresa focada em criptomoedas, a BIT Mining operava sob o nome 500.com, oferecendo serviços de loteria esportiva online na China. As ações eram negociadas na NYSE sob o ticker “WBAI”. Em abril de 2021, a companhia passou a atuar no setor de mineração de criptoativos e alterou seu nome para BIT Mining, com novo símbolo de negociação: BTCM.
Vale lembrar que, em novembro de 2023, a empresa aceitou pagar US$ 10 milhões em multas para encerrar investigações do Departamento de Justiça e da SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) relacionadas a um suposto esquema de suborno a autoridades japonesas durante sua fase anterior como 500.com.
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